Coronavírus causa Conjuntivite?

Qual a associação entre Coronavírus e conjuntivite?

Desde que surgiu em Novembro de 2019 na China, o Coronavírus de transmissão humana tem causado infecção em seres humanos e se tornou o principal problema de saúde pública a nível mundial. Nas próximas linhas, vou explicar a associação entre Coronavírus e conjuntivite.

A conjuntiva é a membrana transparente que recobre a parte branca do olho, bem como a parte interna das pálpebras. A conjuntivite é a inflamação da membrana conjuntival. Pode ser de origem infecciosa e não infecciosa. Uma das causas mais comuns é a adenovisose, doença das vias aéreas provocada por um vírus, o Adenovírus. No olho, ocorre a manifestação desse quadro respiratório devido a comunicação entre a via aérea e olho através do canal lacrimal. O paciente com esse tipo de conjuntivite geralmente apresenta olho vermelho, sensação de areia nos olhos e lacrimejamento. Um sinal bem característico é a presença de gânglio pré-auricular palpável, no mesmo lado do olho afetado. Esse tipo de conjuntivite apresenta um quadro gripal associado.

Desde janeiro de 2020, quando foi dado o alerta pela OMS (Organização Mundial da Saúde), até o momento em que escrevo este artigo, o mundo vive uma Pandemia por Coronavírus, a qual provoca a Covid-19; o termo significa, do inglês, “Coronavirus disease” 19, em função de ter sido descrita no ano de 2019. Uma pandemia significa epidemia que ocorre em todo o mundo, afetando senão todos, a maioria dos países. A Coronavirose é a doença provocada pelo Coronavírus nos animais, sem transmissão anteriormente descrita entre o animal e o homem; o maior exemplo é a Coronavirose canina, já bastante conhecida na Veterinária.

O Coronavírus é um vírus em forma de coroa, forma vista à microscopia eletrônica. Suspeita-se de que a primeira infecção humana tenha ocorrido através do consumo de animais, possivelmente o morcego, num mercado em Wuhan, na China.

O Coronavírus, da mesma forma que o Adenovírus ou mesmo do vírus da Influenza humana, pode provocar conjuntivite em cerca de 1% dos casos e pode ocorrer como primeira manifestação da doença Covid-19. Este percentual aumenta de acordo com o tempo de manifestação da doença, sendo mais frequente nos pacientes internados e faz aumentar ainda mais a transmissibilidade da doença, visto que a lágrima pode carrear o vírus e olho olhos podem ser a porta de entrada da infecção.
A Covid-19 causa infecção entre os seres humanos através de transmissão respiratória e tem alto índice de transmissibilidade, maior que o primeiro Coronavírus descrito em 2002 com característica de transmissão entre humanos, o que se tornou uma emergência de saúde pública a nível mundial, pois, por se tratar de um novo vírus, não há imunidade previamente desenvolvida, seja através da infecção curada, seja através de vacinas.  
A maioria das pessoas se apresenta assintomática ou oligossintomática. Uma minoria desenvolve febre, sintomas respiratórios, diarreia e prostração geral. Desse último grupo, outra minoria desenvolve a síndrome respiratória aguda grave, SARS. Por isso, o novo Coronavírus muitas vezes é citado pela sigla SARS Covid-2, por ser o segundo Coronavírus descrito como causador desse grave quadro respiratório.
Dentro do contexto da pandemia da Covid-19, devemos pensar nesta nova causa de conjuntivite. Alguns indicativos são sugestivos de conjuntivite causada por Coronavírus: o principal é a perda do olfato e do paladar  tem sido descrita como sinal patognomônico da doença. Além disso, é necessário investigar se o paciente teve contato com outra pessoa que recebeu o diagnóstico de Covid-19, se apresenta febre, fadiga e sintomas respiratórios, como tosse e falta de ar.
O quadro clínico da conjuntivite por Coronavírus é bem semelhante ao de outras conjuntivites virais.
Muito do que sabemos até o momento sobre a Covid-19 tem origem na observação de profissionais médicos que trabalharam no atendimento às pessoas com a doença e verificaram a melhor ou pior resposta às medicações prescritas, de acordo com as fases da doença, ou seja, uma medicin empírica, de grande valor neste contexto de pandemia, uma vez que não há tempo para estudos duplo cegos randomizados para testar a eficácia das drogas para tratamento da nova doença. 
A Covid-19 tem 3 fases: replicação viral, inflamatória e hipercoagulação. Na fase inicial, de replicação viral faz sentido o uso de drogas que tem ação antiviral in vitro, como a Cloroquina, Hidroxicloroquina, Ivermectina, Nitazoxanida, Azitromicina. Relatos mostram a eficácia da combinação de drogas com objetivo de tratar a Covid-19, reduzindo o número de pessoas que desenvolvem o quadro mais grave da doença, artigo francês e outros, embora ainda seja assunto controverso pois outros trabalhos mostram efeito semelhante ao placebo. Por outro lado, diante do potencial de redução de complicações e baixa morbidade por efeitos colaterais, em nosso entendimento se justifica o uso desses fármacos na fase inicial da doença. O período de incubação é variável entre 1 e 14 dias, comumente 5 dias.
Uma estratégia a ser amadurecida seria fornecer estas medicações para as pessoas dos grupos de risco com a orientação de uso precoce no início dos sintomas usuais da doença associados a perda do olfato e paladar. 
Um aspecto que tem sido negligenciado é a manutenção da atividade física e da exposição ao sol, no contexto do confinamento adotado em muitos países. Um estudo demonstrou que pacientes que desenvolveram o quadro grave da Covid-19 apresentavam baixos níveis de vitamina D, o qual tem ação regulatória no sistema imune. Então, a recomendação de manter atividades físicas ao ar livre durante o dia faz todo sentido mesmo durante a quarentena. Para reduzir o contágio de pessoa a pessoa, o uso de máscaras, ainda que caseiras, ajudam por atuar como barreira de contenção das gotículas respiratórias. Outras evidências indicam que pacientes com níveis elevados de melatonina apresentam em menor proporção os quadros graves da doença.

Um outro aspecto é o enfoque possivelmente excessivo na Covid-19, enquanto outras doenças merecem igual atenção, além da separação entre saúde e economia, sobretudo nos países mais pobres, onde condições sanitárias da habitação inviabilizam o isolamento social. É preciso que os gestores levem em consideração a degradação dos empregos, proveniente da quarentena vertical, a qual possivelmente provoca um efeito ainda mais devastador na qualidade de vida geral das populações que não tem o hábito de poupar, a exemplo da maioria da população brasileira. Por fim, complicações de ordem social através do aumento da violência urbana, devem ser consideradas na execução das políticas de saúde pública durante a pandemia de Covid-19.

O que deseja encontrar?

Compartilhe

Share on facebook
Share on linkedin
Share on google
Share on twitter
Share on email
Share on whatsapp